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Durante o processo de desenvolvimento de produtos é comum vermos clientes e designers direcionando suas atividades apenas em ações que dizem respeito à parte visual da interface, desconsiderando características e experiências dos usuários. Este tipo de abordagem geralmente resulta em re-trabalhos, falhas de comunicação, prazos estourados, usuários insatisfeitos e, consequentemente desperdício de tempo e dinheiro.

No início dos anos 2000 James Garrett elaborou um gráfico muito bom, onde ilustra os elementos da experiência do usuário, a sua relação e contexto no qual estão inseridos. O diagrama foi descrito detalhadamente no livro The Elements of User Experience.

The Elements of User Experience, by Jesse James Garrett, 2000 www.jjg.net

Pouco tempo depois, Peter Morville (co-autor do famoso livro do urso polar), utilizou a metáfora do iceberg e elaborou um modelo alinhado ao diagrama proposto por Garrett, mas que continha informações relacionadas à arquitetura da informação.

Mais tarde, Trevor Van Gorp percebeu que o diagrama de Garrett ilustrava bem os componentes necessários para criar experiências gratificantes e atraentes, mas que não era tão bom em traduzir isto para os clientes, que não possuem uma compreensão tão abrangente sobre o tema. Assim, Gorp criou um gráfico alinhado ao de Garrett e utilizando a metáfora do iceberg adotada por Morville (mesmo desconhecendo a existência desse diagrama até então). O gráfico de Gorp torna a diferença entre o design visual e a experiência do usuário mais evidente, quando demonstra que aquele é apenas a “ponta do iceberg”.

Ux Iceberg, by Trevor van Gorp, 2007 www.affectivedesign.com

Temos, então, dois gráficos, que apresentam as mesmas informações de maneiras distintas e de onde é possível perceber a necessidade de se mergulhar em águas mais profundas para que se possa chegar a um produto que esteja de acordo com as necessidades dos usuários. Don Norman, em uma entrevista sobre experiência do usuário, comenta que “a primeira e mais difícil parte do projeto é descobrir o que é realmente necessário para ir à raiz do problema e resolver o problema correto”.

Além disso, o gráfico de Gorp é interessante para mostrar ao cliente a importância de se investir nas atividades que antecedem o design visual propriamente dito. Afinal, como estima Dick Berry, em sua análise da experiência do usuário (também a partir de uma abordagem baseada na metáfora do iceberg) a parte visual representa apenas 10% da usabilidade final da interface.